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Texto e Ilustrações: Planeta Tangerina
Consertar o mundo implica o domínio de certas técnicas e palavras que, aos poucos, desconfiamos nós, estão a cair no esquecimento. E é aqui que entra em acção a Agenda do Planeta Tangerina para 2010: em cada semana, mostramos uma peça, um material, uma ferramenta imprescindível para quem está farto do desconcerto do mundo.
ah poiis ée - a minha linda linda linda agenda nova do planeta tangerina! nunca tive uma agenda tão gira na minha vida, é verdade sim. estou contente sim senhora
isto quem tem amigos tem tudo :)
domingo
Era uma janela grande, arejada como qualquer outra. Janela que, como qualquer outra, me arejava as ideias desta pesada cabeça. Abria-se ao mundo, abria-se para o mundo a mim – um telhado flamejante à distância de um toque suplicava por um salto. Lá em baixo, o solarengo quintal vizinho, escondia a fresca sombra da árvore alta. Rematando, as paredes quentes tijoladas da casa em frente, donas de uns pares de outras bonitas janelas, grandes e arejadas que não a minha. Quentes, paredes altas tijoladas contrastavam com a moldura branca das janelas grandes e arejadas que não a minha, guardando outras vidas que não a minha. Depois disto, mil telhados que se perdiam na vista – com chaminé, uns mais altos, outros mais baixos, mais quentes ou cinzentões, multiplicavam-se fugindo de mim, telhadinhos que cobriam outras vidas que não a minha. Do beiral desta janela, grande e arejada como qualquer outra, abraçava o amarelo, talvez já não tão amarelo assim. Amarelo de outras vidas que não a minha.
escrito com base num quadro de Stanley Spencer, From the Artist's Studio, 1938
mais quinze palavras do que seria suposto, mas ainda assim, gostei de o escrever:
sábado
não quero crescer mais. não quero mais disto. quero ser criança outra vez. quero miminhos e poder dormir, quero não ter que comer e quero não ter fome. ou, se o tempo não pode mesmo voltar mais atrás quero fazer as malas e ir-me embora daqui. não quero mais estar aqui assim desta maneira. preciso de me conhecer, de não te ver todos os dias sem . preciso de abrir os olhos e ver coisas novas, explorar e amar outras coisas, de me entusiasmar. mas disto não quero mais. preciso de tempo e paixão.
sexta-feira
quarta-feira
segunda-feira
domingo
sábado
Oh whatcha gonna do, Katie?
You're a sweet sweet girl.
It's a cruel, cruel world
It's a cruel, cruel world.
My pins are none too strong, Katie
Oh hurry up, Mrs Brown
I can feel it coming down
and I won't take none too long
But since you said goodbye
There're polka dots fill my eyes
And I don't know why
Shoop shoop, shoop de-lang de-lang Shoop shoop, shoop de-lang de-lang Shoop shoop, shoop de-lang de-lang Shoop shoop, shoop de-lang de-lang Shoop shoop, shoop de-lang de-lang Shoop shoop, shoop de-lang de-lang Shoop shoop,
quinta-feira
segunda-feira
domingo
eu: bom dia pequenina - festinha na cabeça
m: bom diia - escorrega no tapete e abraça-se a mim
eu: ouh, ontem adormeci não foi?
m: foi sim. e depois a mãe chamou-me e eu saí muito devagarinho e apaguei a televisão
eu: pois foi, muito obrigada, e até tiraste o dvd e tudo
depois ela chama-me pelo nome - mas daquela maneira compassada, como só elas sabem chamar - por isso não me importo
m: madaleeena
eu: sim Margarida?
m: deviamos fazer isto mais vezes
porque são estes momentos que me fazem sentir especial, com um quentinho cá dentro.
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sábado
friday's night
era digno de um estudo, as perguntas como e porque é que as palavras me fogem quando estou ao teu lado. afinal de contas, como é que fazes isso? tenho saudades de estar contigo, saudades mesmo, muitas a sério. não estava a acreditar quando ontem te vi ali - isto devias era estar tu a pensar. ontem queria ter-te dado um abraço e susurrar-te o quanto gosto de ti. olhar-te bem nos olhos como nunca tive coragem, e fazer-te pensar em mim o resto da noite - aquela que planeavas já com uma qualquer outra rapariga. mas não, fico-me sempre pela promessa, pela porra da promessa a mim mesma.
espero que te tenhas divertido
quinta-feira
sabes, tenho andado de gorro. sei como a ti te fica tão bem, disse-te daquela vez "humm, gosto de te ver assim, de gorro". hoje no caminho para casa era só lembranças. vi um rapaz diferente que embora alto, caracteristica da qual não te podes gabar, me fez sorrir. sorriu-me quando se apercebeu - sorriste-me acho eu. estavas de gorro e sorriste-me. baixei a cabeça confusa, esquece estes filmes madu, mudei para a nossa música. quando levantei os olhos, já lá não estavas, tinhas fugido meu Zé - mais uma vez.
cerrei os olhos quando o metro parou no campo pequeno - apareceste-me de repente, apressado e a pedir desculpas por me teres deixado à espera, que te tinhas enganado no caminho, não costumavas andar por estes lados. o teu cabelo estava húmido e a tua respiração acelarada da corrida que tinhas feito à chuva só para vires ter comigo - foi a primeira vez que estivemos juntos. começou a dar uma qualquer outra batida, as portas abriram-se - QUINTA DAS CONCHAS. despertei - limitei-me a correr sem pensar na maneira como te reflectes em cada caminho daquele maldito sitio, voando pelos degraus na esperança que te apagasses. e foi ver-te primeiro de costas, e depois ver-nos, e vê-los a ele a ela abraçados naquele nosso lugar. eles que só sabiam ter olhos um para o outro.
quarta-feira
e imaginar a tua persistencia e a quantidade de vezes que me perguntavas se eras chato, dá-me agora vontade de rir. como quando correste esbaforido da aula para me veres uma última vez e eu já ia no autocarro. ou como quando sublinhavas que tinhamos tantos gostos comuns. sempre foste de desafios e de lutar pelas coisas. eu era para ti um mistério e quando me descobriste perdi a graça toda.
terça-feira

hoje é terça. hoje é terça e as terças são os meus dias meu queriido amigo Zé.
agora já sabes
keep in touch
sábado
sexta-feira
quarta-feira
segunda-feira
sem resposta
Meu Zé queriido, queria estar aí para me despedir de ti, ou telefonar-te, mas agora não dá. faz boa viagem meu rapazinho e porta-te bem. vê lá se te lembras que pronto até gosto de ti, vá, e telefonas. mil e um, madu
sábado
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