domingo








Era uma janela grande, arejada como qualquer outra. Janela que, como qualquer outra, me arejava as ideias desta pesada cabeça. Abria-se ao mundo, abria-se para o mundo a mim – um telhado flamejante à distância de um toque suplicava por um salto. Lá em baixo, o solarengo quintal vizinho, escondia a fresca sombra da árvore alta. Rematando, as paredes quentes tijoladas da casa em frente, donas de uns pares de outras bonitas janelas, grandes e arejadas que não a minha. Quentes, paredes altas tijoladas contrastavam com a moldura branca das janelas grandes e arejadas que não a minha, guardando outras vidas que não a minha. Depois disto, mil telhados que se perdiam na vista – com chaminé, uns mais altos, outros mais baixos, mais quentes ou cinzentões, multiplicavam-se fugindo de mim, telhadinhos que cobriam outras vidas que não a minha. Do beiral desta janela, grande e arejada como qualquer outra, abraçava o amarelo, talvez já não tão amarelo assim. Amarelo de outras vidas que não a minha.






escrito com base num quadro de Stanley Spencer, From the Artist's Studio, 1938
mais quinze palavras do que seria suposto, mas ainda assim, gostei de o escrever:

6 comentários:

  1. é para um trabalho da escola ou assim?
    eu sou completamente addicted em born ruffians mesmo, moldaram-me imenso

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  2. o meu é trabalhar sobre o velho do restelo nos lusiadas ahah ainda nao fiz grande coisa pois comecei a compor uma musica a partir de um post que fiz ahah

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  3. nao vejo nada de assustador na fotografia. o conceito está ago de excepcional, a construção fotografica também!
    e nao gosto de português, a minha stora parece que vai para lá pastar

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  4. hm eu acho avassaladora ahah e ja nao tenho inglês (YES)
    eu infelizmente nao sou esquisito com gomas.. sniff sniff

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  5. Não sou grande fã de arroz com atum propriemente dito...mas gostei deste =D

    Boa semaninha*

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